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Mostrando postagens com o rótulo opinião

Artigo: Respeita a fila! Na moral

  Artigo de Bruno Lara publicado no site do Jornal do Estado - Mato Grosso do Sul em 18 de março de 2021.   “Câmara aprova projeto que torna crime furar a fila de vacinação”.   Essa é uma manchete recente de jornais de um país chamado Brasil (mas, não é exclusividade nossa). A necessidade de uma lei que tente (tente) obrigar o respeito ao cumprimento de regras de vacinação em plena pandemia acusa fraturas na ideia de sociedade, civilização e no conceito de moral. O que é agir na moral, segundo Platão? Seria a pessoa adotar determinado comportamento considerado correto, de forma livre, sem coação, sem constrangimento, sem o fazer por força de lei ou porque há uma câmera flagrando tudo. Simplesmente porque é certo. Portanto, agir   na moral não é agir certo, é agir certo porque quer, renunciando às próprias pretensões a qualquer custo. Portanto, a vigilância (conceito foucaultiano) não produz comportamentos morais. É preciso ausência de instrumentos de controle p...

Artigo: Cientistas nas urnas. Cadê?

  Artigo de Bruno Lara publicado no Jornal do Estado - Mato Grosso do Sul, em 27/02/2021. Talvez seja o momento de os/as cientistas pensarem em largar os jalecos e experimentarem mais ternos e gravatas. Não para abandonar a profissão, mas sim para usar outras estratégias de defesa da C,T,I&E, sigla para o que eu chamo de Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação. Ao que parece, não basta estar na esfera pública, às vezes é preciso ser um agente público na política institucional e eleitoral. Por que não cientistas e outros profissionais da academia se lançarem a cargos de vereador, prefeito, deputado estadual e federal, senador, governador e até presidente? Está mais do que provado que ciência não se faz só com instrumentos técnicos de pesquisa, mas também com gente, diálogo, comunicação, relacionamento e dinheiro (sempre insiro de propósito o termo “gente” na frente). Sem articulação política, a ciência patina. Do jeito que está, a representação da ciência na política por agente...

Artigo: Sim, eu parei o tempo

Artigo publicado no Jornal O Estado - Mato Grosso do Sul, em 21/12/2020. Todos já estamos vacinados quanto ao lado danoso das redes sociais e da internet em geral. Se antes a gente se encantava com as promessas de emancipação, de democracia, acesso ao conhecimento e do potencial de relacionamentos, hoje somos desconfiados. As fake news, as bolhas, a ansiedade e a manipulação através de algoritmos são as faces mais notáveis dessa nova interpretação. O documentário O Dilema das Redes traz um retrato interessante de toda a ciência aplicada num mercado que compete pelo nosso tempo e a nossa atenção, através de estratégias de reforços intermitentes positivos: notificações, marcação de outros perfis em fotos, o ato de passar constantemente o feed para ter novidades etc. Esse cenário ajuda a compor o que Guy Debord chama de sociedade do espetáculo, na medida em que essas plataformas trabalham com imagens e representações artificiais do que seria a vida. É como se renunciássemos ao desfrute da...

Meme, liberdade e filosofia

Artigo de opinião publicado originalmente no site da UnB em 05 de junho de 2020. Um dia desses eu vi um meme engraçado e provocador no Instagram. Dizia a imagem: “não vejo a hora de ficar em casa por livre e espontânea vontade”, em referência à quarentena. Ou seja, é como se ficar em casa fosse bom, mas não forçosamente. Descanso é bom, mas quando e como queremos, sem imposições. Gostamos de nos programar e ser “livres”, mas … o que é liberdade? Você se acha livre? Diversas correntes científicas nos ajudam a tentar entender o conceito de liberdade. Para uma linha biológica, a gente não age livremente porque somos frutos da genética, do DNA. As nossas predisposições, habilidades, gostos seriam “determinados” pelo evolucionismo. Já uma vertente psicanalítica nos diz que as nossas ações e decisões no âmbito consciente podem ser explicadas acessando o universo inconsciente. Aqui também não haveria a liberdade, pois continuo preso a fatores muito pouco conhecidos que norteiam a minha condut...

Artigo: Informação Para a Vida

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INFORMAÇÃO PARA A VIDA Fonte da imagem: portaldobibliotecario.com Bruno Lara. Eu diria que a informação é como o ar. Respiramos naturalmente, sem percebermos como se dá o processo, faz parte do nosso viver. A informação está aí, aos montes, em abundância. Ela nos molda, educa, deseduca, orienta, dá o tom do nosso humor e das nossas perspectivas. É um bem biocultural que contribui, e muito, para sermos quem somos, para fazermos o que fazemos. A vida em sociedade requer de nós um movimento para entendermos, ou pelo menos tentarmos entender, o movimento de informações, nem sempre tão caóticas e desarticuladas. Para compreendermos onde vivemos, geográfica, cultural, política e psicologicamente, é importante identificar os cenários de informações travados na arena política e midiática, não apenas na grande mídia, mas também nela. Ok, não é tarefa das mais fáceis para quem é espectador, quem de certa forma recebe as questões e as respostas “prontas”, para quem não te...

Entrevista: a comunicação pública da ciência no México

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O presidente da  Sociedade Mexicana para a Divulgação da Ciência e Tecnologia (Somedicyt) , Jorge Padilla, concedeu entrevista ao blog Dissertação Sobre Divulgação Científica  na qual aborda aspectos variados e em discussão sobre a comunicação pública da ciência (CPC). Entre outros assuntos, o engenheiro químico fala sobre  os problemas, estratégias e desafios do campo no México e na América Latina, incluindo o jornalismo científico, apresenta contornos do desenvolvimento histórico e institucional da CPC mexicana e relata parcerias da Somedicyt com instituições brasileiras. Confira a entrevista: O que a Somedicyt representa para a Comunicação Pública da Ciência (CPC) no México? Padilla: Atualmente, com mais de 210 sócios agrupados em 10 divisões profissionais, a Somedicyt é a maior e mais importante agremiação formal de divulgadores da ciência e tecnologia no México. Estamos presentes em 17 das 32 entidades federativas da República Mexicana.  Tr...

E se parássemos de falar sobre líderes e liderança ?

F aça o teste. Não tem nem um dia que você não ouça ou leia alguém falando de líderes e liderança, normalmente para lamentar a ausência deles. Parece que não podemos viver sem eles. Eles são nossos "salvadores", aqueles que nos "guiam na escuridão". Os mais sofisticados vão dizer que o verdadeiro líder é aquele que valoriza as pessoas ou, para usar o jargão do mundo empresarial, aquele que “empodera” as pessoas, mas na prática o que acontece é que o líder é aquele que está no comando e todas as outras pessoas são meros seguidores. Será que nós queremos realmente um mundo de seguidores? Como nos lembra Henry Minzberg, as organizações mais eficientes são aquelas onde as pessoas possuem um senso aguçado de comunidade, e que esta é composta por "seres humanos" e não por "recursos humanos"... Para reconhecer uma organização deste tipo basta percorrê-la e perceber a energia do lugar, o compromisso das pessoas e seu engajamento naquilo que es...

Um mergulho desorientado na... “crise” - artigo de opinião

Bruno Lara Artigo publicado em 26 de fevereiro de 2015 no jornal Tribuna de Petrópolis Q uando criança, eu percebi a “banalização” do emprego do termo crise. Naquela época, percebi através dos noticiários de futebol, que constantemente se referiam a determinados clubes como envoltos em crises (com exceção do Flamengo que sempre esteve perfeitamente bem). Crescendo e me interessando mais por política, cultura e pelas humanidades em geral, percebi a presença da danada crise também nas editorias de política, economia, nos discursos sobre as condutas morais, familiares, na escola e educação, enfim... crise, crise e por aí vai. A crise teria se “democratizado”, talvez antes mesmo da própria democracia. Os noticiários refletem muito bem a sensação deste “momento conturbado”. Recentemente, 17 prêmios Nobel adiantaram em dois minutos o Relógio do Apocalipse, citando, por exemplo, a péssima exploração dos recursos naturais e os riscos da energia nuclear, esta última já não desfruta...

On Charlie Hebdo: The War over Universalisms

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An original TFN exclusive ~ by Rafael Capurro L eia na íntegra o texto de Rafael Capurro sobre o episódio que envolve o jornal Charlie Hebdo e segmentos da comunidade islâmica. Fonte: TheFreeLanceNetizen.

Mais Espaço para Ciências Sociais e Humanas

Artigo de José Monserrat Filho* comenta editorial publicado na revista Nature “Olhem para as estrelas e aprendam com elas” -  Albert Einstein. S e os governos desejam que as ciências exatas e naturais levem mais benefícios à sociedade, eles precisam se comprometer mais com as ciências sociais e humanas. Há que integrar todas essas áreas para que as ciências exatas e naturais ofereçam soluções ainda mais abrangentes e completas. Essa, em suma, é a visão defendida pela Nature, renomada revista científica inglesa, em seu editorial “Tempo para as Ciências Sociais“, de 30 de dezembro de 2014. Para a Nature, “a física, a química, a biologia e as ciências ambientais podem oferecer soluções maravilhosas a alguns dos desafios que as pessoas e as sociedades enfrentam, mas para que ganhem força, tais soluções dependem de fatores que vão além do conhecimento de seus descobridores“. A publicação argumenta que “se fatores sociais, econômicos e culturais não são incluídos na formul...

Quem precisa de um carro na garagem?

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Coletivo. Car2go, da Mercedes Benz, tem carros em 26 cidades. FOTO: Reprodução O automóvel foi o grande fetiche material do século 20, símbolo de autonomia, movimento e status. No século 21, o ícone de outrora vem sendo atacado por todos os lados. Inimigo do meio ambiente, estorvo das cidades congestionadas, emblema do consumismo individualista. Na semana passada, direto do Vale do Silício, veio mais munição contra o culto ao automóvel. Em entrevista ao New York Times, Travis Kalanick, CEO do Uber, aplicativo de caronas e motoristas particulares que já vem despertando a ira de taxistas europeus, disse que seu objetivo é criar um produto que saia mais em conta do que ter um carro na garagem. “Se conseguirmos que o preço fique baixo o bastante, podemos chegar ao ponto em que é mais barato usar o Uber do que possuir um carro.” Não será tão difícil. Possuir um carro no Brasil, por exemplo, implica em gastos de combustível, taxas, manutenção, pedágio, estacionamento e ev...

Editorial do O Globo: "O fim do ensino superior gratuito"

Crise da USP, onde grande parcela de estudantes poderia pagar mensalidades, coloca a questão do fim da gratuidade para todos, medida de justiça social. C rise da Universidade de São Paulo (USP), por má administração, coloca em debate o conceito de autonomia universitária, da forma como ela é exercido no Brasil. No centro da questão, o fato de a USP, dependente do erário paulista (ICMS), ter ultrapassado os limites de prudência na gestão da folha de pagamentos: em vez de representarem no máximo 80% do total da verba transferida do imposto, os salários ultrapassaram os recursos disponíveis e chegaram a 105% deles. Quer dizer, foi preciso sacar parte das reservas da própria instituição. Ao mesmo tempo, melhor universidade do país, a USP demonstra alguma decadência pedagógica, refletida em rankings internacionais de cursos de ensino superior. A prestação de contas à sociedade e aos contribuintes em particular, os compromissos com critérios equilibrados de gestão, a definição de me...

Artigo "A aberração do troca-troca" - de Helena Nader

Texto publicado no site da Folha de SP.  Helena Nader. Como cientistas, enxergamos de maneira trágica o uso do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação como parte de arranjos políticos Foi com grande desapontamento que recebemos a notícia da substituição do ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Marco Antonio Raupp, matemático que há mais de dois anos, desde sua nomeação, em janeiro de 2012, vem prestando excelentes serviços ao desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação ao nosso país. Raupp assumiu a pasta com apoio integral da comunidade científica brasileira que nele reconheceu um legítimo representante, capaz de elevar e certamente lutar pelo tratamento da ciência e tecnologia como uma das políticas de Estado prioritárias na esfera pública nacional. E foi o que fez ao longo de sua gestão no ministério, sempre ouvindo e interagindo com as mais diversas sociedades, organizações, instituições e empresas que integram o cenário da ciência, tecnolo...

O lixo é de cada um

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Texto de Taiga Corrêa Gomes, do blog " Miscelânea -  Impressões de uma jornalista carioca morando em Tóquio " "H á uns meses atrás apareceu uma discussão no facebook que ficou na minha cabeça. Estavam reclamando que faltavam latas de lixo nas ruas do Rio. E que as que haviam eram muito pequenas, pouco práticas. Aqui não tem latas de lixo na rua. Também não tem gari. E as calçadas são limpíssimas. Só se encontra latas de lixo do lado das vending machines, que são as máquinas que estão por todo o lado com todos os tipos de bebida à venda. E as latas do lado dessas máquinas são especificamente para garrafas pet e latas. O outro lugar possível de se encontrar latas de lixo é dentro das lojas de conveniência. E é só. Há pouco tempo entendi o motivo. Para os japoneses, o lixo é de cada um. É um desrespeito para com a cidade levar o lixo para a rua. E eles não comem andando. Eles param, compram o suco, chá ou lanche, comem e jogam fora antes de voltar a ...