segunda-feira, 21 de julho de 2014

Quem precisa de um carro na garagem?

Coletivo. Car2go, da Mercedes Benz, tem carros em 26 cidades. FOTO: Reprodução

O automóvel foi o grande fetiche material do século 20, símbolo de autonomia, movimento e status. No século 21, o ícone de outrora vem sendo atacado por todos os lados. Inimigo do meio ambiente, estorvo das cidades congestionadas, emblema do consumismo individualista.

Na semana passada, direto do Vale do Silício, veio mais munição contra o culto ao automóvel.

Em entrevista ao New York Times, Travis Kalanick, CEO do Uber, aplicativo de caronas e motoristas particulares que já vem despertando a ira de taxistas europeus, disse que seu objetivo é criar um produto que saia mais em conta do que ter um carro na garagem. “Se conseguirmos que o preço fique baixo o bastante, podemos chegar ao ponto em que é mais barato usar o Uber do que possuir um carro.”

Não será tão difícil. Possuir um carro no Brasil, por exemplo, implica em gastos de combustível, taxas, manutenção, pedágio, estacionamento e eventuais multas. É comum o IPVA custar mais que R$ 1.000 anuais. Mesmo sem contar com um aplicativo como o Uber, tenho amigos em São Paulo que abdicaram do carro e, mesmo se valendo de táxis a toda hora, ainda se consideram no lucro.

Vale lembrar também que o automóvel é um péssimo investimento. Do momento em que o motorista tira seu modelo zero da concessionária, o bem já se desvalorizou entre 15% e 20%.

Há um realinhamento de prioridades em curso, especialmente em gerações criadas no espírito de compartilhamento da internet, em megacidades problemáticas e com uma consciência ambiental aguçada.

Uma pesquisa da Telefônica para um estudo de carros conectados feita com motoristas de vários países revelou que 35% “acreditam que não terão mais carro próprio em 20 anos”.

A mesma pesquisa cita um relatório da consultoria Navigant Research que previu que usuários de esquemas de compartilhamento de carro devem crescer de 2,3 milhões em 2013 para 12 milhões em 2020.

Isso quer dizer que a indústria da tecnologia vai entrar em rota de colisão com o setor automotivo? Nada disso. Elas devem sim trabalhar juntas, como provam os muitos projetos de carro conectado em andamento. E as fabricantes estão atentas às tendências, mostrando disposição de se adaptar e não de brigar. “Existe um incentivo para se encontrar modelos novos, alternativos e mais inovadores para o transporte pessoal.” São palavras não de um cicloativista, mas de um executivo da General Motors, mencionadas na pesquisa da Telefônica. O car2go, serviço de carro coletivo da Mercedes-Benz, em que o usuário faz o pedido via smartphone, já opera em 26 cidades do mundo, com 700 mil usuários.

Ter seu próprio carro continuará a ser o desejo de muitos. Mas no futuro, até o transporte individual promete ser uma experiência bem diferente, mais utilitária e despretensiosa. Algo mais parecido com o carro que o Google apresentou este ano, um veículo que roda automatizado, guiado por sensores e GPS, com interferência humana mínima.

Fonte: Homem-Objeto/Link/Estadão.

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