domingo, 29 de março de 2015

E se parássemos de falar sobre líderes e liderança ?


Faça o teste. Não tem nem um dia que você não ouça ou leia alguém falando de líderes e liderança, normalmente para lamentar a ausência deles. Parece que não podemos viver sem eles. Eles são nossos "salvadores", aqueles que nos "guiam na escuridão". Os mais sofisticados vão dizer que o verdadeiro líder é aquele que valoriza as pessoas ou, para usar o jargão do mundo empresarial, aquele que “empodera” as pessoas, mas na prática o que acontece é que o líder é aquele que está no comando e todas as outras pessoas são meros seguidores.

Será que nós queremos realmente um mundo de seguidores?

Como nos lembra Henry Minzberg, as organizações mais eficientes são aquelas onde as pessoas possuem um senso aguçado de comunidade, e que esta é composta por "seres humanos" e não por "recursos humanos"... Para reconhecer uma organização deste tipo basta percorrê-la e perceber a energia do lugar, o compromisso das pessoas e seu engajamento naquilo que estão fazendo. "Essas pessoas não têm de ser formalmente "empoderadas" ou motivadas, porque elas estão naturalmente envolvidas. Elas não vivem com um medo mortal de serem demitidas para que algum "líder" possa apresentar números satisfatórios ao conselho de administração da companhia".

Claro que em todo projeto, ação ou atividade humana existem algumas pessoas que assumem, momentaneamente, um papel de liderança, mas esta posição é assumida de maneira natural, espontânea. O grupo que reconhece este papel é o mesmo grupo que no momento seguinte pode destituir o "líder" deste papel. A liderança não é obtida por decreto, ela emerge e é construída quando se faz necessária para a auto regulação e melhor funcionamento desta comunidade, mas desaparece ou é modificada no momento seguinte, dinamicamente, quando não é mais necessária. Como no voo coordenado destes pássaros.


Fonte: Marcos Cavalcanti/Inteligencia Empresarial/O Globo.

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