quarta-feira, 24 de abril de 2019

Entrevista: Pesquisador da USP investe na formação de cientistas divulgadores

"É extremamente preocupante como são divulgadas informações falsas sem base científica, como a polêmica da Terra plana e a das vacinas que causariam autismo. Uma tarefa importante da divulgação científica é a de educar a população no método científico" - Jorge Melendez.



O pesquisador Jorge Melendez no Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas,
onde pesquisa sobre gêmeas solares e se dedica à divulgação da ciência.


A Astronomia é um campo científico que tradicionalmente desperta grande interesse social. A matéria escura, o Sol, a possibilidade de vida em outro planeta, o Big Bang, o buraco negro ... tudo isso permeia a curiosidade e a imaginação de muitos de nós (quem sabe, de todos nós!?).

Mas, é uma área que trata de conteúdos nem sempre tão fáceis de entender. Por isso, inclusive, tem crescido a quantidade de cursos e eventos de divulgação científica nessa área. Um exemplo disso é a disciplina "Divulgação em Astronomia", criada como matéria optativa há cinco anos pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas, da Universidade de São Paulo (USP).

O criador e responsável por essa disciplina é o físico e astrônomo Jorge Luis Melendez Moreno. Em entrevista concedida ao blog Dissertação Sobre Divulgação Científica, ele contou que a matéria tem gerado diversos resultados práticos para a formação de pesquisadores com consciência mais clara sobre a importância da interação entre a ciência e a sociedade em geral.



Confira a íntegra da entrevista!


Quando e como surgiu a ideia de criar uma disciplina de divulgação científica em Astronomia na graduação da USP?

A ideia surgiu em novembro de 2012, quando estavam sendo discutidas possíveis disciplinas relacionadas à vertente de Ensino/Divulgação do Bacharelado em Astronomia. Naquela época, não foi identificada nenhuma disciplina na USP com o perfil específico de divulgação científica. Então, eu elaborei uma proposta de criação da nova matéria optativa, chamada "Divulgação em Astronomia", que foi oferecida pela primeira vez por mim em 2014.

Como tem sido a receptividade dos estudantes?

Em geral, os estudantes interessados procuram expandir os seus conhecimentos e as suas experiências fora do âmbito de disciplinas estritamente ligadas a ciências exatas, como matérias de cálculo e física, por exemplo. Parte deles já tinha algum interesse em ensino ou divulgação. A disciplina tem permitido a eles desenvolvam esses interesses através de diversos projetos.  

As experiências têm sido muito positivas, como podemos observar na qualidade dos trabalhos desenvolvidos. Por exemplo, várias hashtags "#AstroThreadBR" que os estudantes usam para divulgar temas da Astronomia no Twitter são destaque no twitter Moments Brasil (MomentsBrasil).

Vários estudantes ficam muito contentes com os resultados de projetos desenvolvidos em diversas escolas, onde são muito bem recebidos, superando expectativas que eles mesmos projetam. Um estudante nosso, o Matheus Castro, trouxe uma escola para o Instituto 
de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG), onde usou pela primeira vez o Observatório no IAG/USP, como demonstração, após a recuperação dos equipamentos da unidade.

Quais conteúdos são abordados nas aulas?

São discutidos diferentes temas de interesse da mídia, os diversos veículos de divulgação, o público-alvo, a importância política da divulgação científica, técnicas de apresentação em público, media training (treinamento para lidar com jornalistas), o modelo linear de comunicação, o papel de cientistas, da assessoria de imprensa, dos jornalistas/divulgadores científicos, do público em geral, as técnicas de comunicação escrita, redação de releases e matérias para o público, jornalismo de dados, possibilidades de especialização, estágios e empregos em divulgação científica. 

Enfim, são muitos os temas. Utilizamos como estratégica, também, a discussão de diferentes estudos de caso, muitas vezes com a participação de importantes divulgadores científicos. Recentemente, o Schwarza, do canal Poligonautas, esteve com a gente para trocar informações, experiência e cultura. Foi bem enriquecedor.

Recentemente, um estudante da sua disciplina de divulgação científica foi contemplado para estagiar no Instituto do Telescópio Espacial Hubble, nos Estados Unidos. Como foi esse processo e quais outros frutos você observa que a disciplina gera?

Foi um processo muito competitivo, com mais de 400 candidatos do mundo todo pleiteando poucas vagas no Instituto do Telescópio Espacial Hubble. Eu divulguei a possibilidade de estágio em uma das aulas, e o aluno Lucas Batista mostrou interesse em se candidatar à vaga. Para apoiar a candidatura, eu escrevi uma carta de recomendação, destacando o projeto de divulgação feito pelo Lucas na disciplina de Divulgação. Foi analisado, inclusive, o perfil e o currículo dele, que fez um trabalho muito bom de divulgação com alunos do Colégio de Aplicação João XXIII, em Juiz de Fora-MG. O estágio está previsto para começar no dia 17 de junho e terminar em 16 de agosto. Fiquei muito feliz em ter um estudante da minha disciplina contemplado para uma vaga de estágio de divulgação científica nesse prestigiado Instituto.

Em relação aos frutos que a disciplina gera, acredito que todos os projetos desenvolvidos pelos alunos foram importantes iniciativas de difusão científica, e serviram para engajar os estudantes nesse necessário relacionamento entre ciência e sociedade. 

Alguns projetos, inclusive, tiveram continuidade mesmo após os estudantes concluírem a disciplina. Por exemplo, temos o projeto Cauda_do_Cometa, relacionando a cultura pop à ciência, via mídias sociais e marcadores de livro feitos para serem distribuídos em escolas. Já o projeto Astro Mulheres destacou importantes contribuições das mulheres à ciência, via desenhos sobre as cientistas e textos sobre as suas descobertas. Para esse projeto foi discutida a possibilidade de ser editado um livro reunindo as contribuições de diferentes pesquisadores. Também fiquei gratamente surpreso com o potencial artístico de alguns estudantes, como por exemplo a Melissa de Andrade. Ela fez uma arte sobre o ciclo do carbono, mostrando como a fonte de energia do interior da Terra é importante para manter essa dinâmica equilibrada. Diversos veículos científicos e da imprensa divulgaram o trabalho, como o Observatório Europeu do Sul, o blog Mensageiro Sideral, da Folha, a BBC Brasil e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).


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O estudante Lucas Batista (esq.) com Jorge Melendez.



Arte da estudante Melissa de Andrade sobre o ciclo de carbono.

Em geral, a Astronomia é um campo que interessa à sociedade, estimula a curiosidade das pessoas. Mas, há algum tema específico da área com mais apelo social?

Diversos temas da Astronomia despertam interesse no público, como os buracos negros e a vida no universo. Mas, também existem áreas interdisciplinares com mais apelo social, como a Arqueoastronomia, que procura resgatar o conhecimento astronômico de antigas civilizações. Infelizmente, a conquista de culturas indígenas não apenas dizimou diversas populações, como também promoveu um extermínio cultural em vários territórios. Um papel importante da Arqueoastronomia é valorizar os avanços desses povos. Por exemplo, as culturas andinas do antigo Peru podiam prever as mudanças das chuvas ocasionadas pelo "El niño", usando cuidadosas observações das estrelas Plêiades.

O Brasil costuma ter bons desempenhos científicos e de educação científica em Astronomia, inclusive internacionalmente. Cientistas brasileiros participam de importantes projetos de pesquisas internacionais e grupos de estudantes costumam vencer olimpíadas. Mas, parece que essas conquistas não são tão percebidas pela sociedade. Você concorda? Falta ação dos divulgadores da ciência ou o problema é da imprensa?

Concordo que falta uma maior divulgação das importantes pesquisas sendo feitas no Brasil. Certamente é fundamental uma maior cobertura da mídia. Mas, precisamos também de um maior engajamento dos pesquisadores com a divulgação científica. É urgente estabelecermos uma boa assessoria de imprensa nas diferentes instituições de pesquisa, que possam dar apoio na elaboração de comunicados à imprensa e produção de materiais, como arte e animações para ilustrar as pesquisas. 

Em geral, qual é o posicionamento e a motivação dos seus colegas de profissão, outros cientistas da área, em relação à divulgação científica em Astronomia?

Antigamente, a divulgação científica não era muito bem vista. O foco da Astronomia no Brasil era estritamente acadêmico. Mas, isso tem mudado nos últimos anos. A divulgação científica não é apenas importante para difundir o conhecimento científico à sociedade, mas também é fundamental para educar a população no método científico e para mostrar a importância desse tipo de saber para o desenvolvimento de um país. De fato, cortes brutais no orçamento da ciência e tecnologia, como os anunciados recentemente, ameaçam a possibilidade de um dia o Brasil ser um país plenamente desenvolvido. Um país sem ciência é um país sem futuro. 

Quais são os espaços e as estratégias de divulgação científica que você utiliza?

Eu gosto de fazer divulgação científica usando diferentes espaços. Mas, realizo essa atividade com limitações porque sou muito envolvido com a pesquisa, o ensino e a formação de novos astrônomos. Isso demanda muito tempo e dedicação. Eu tento fazer esforços que possam atingir um vasto público, como por exemplo as divulgações das nossas pesquisas através de comunicados à imprensa, o que pode atingir milhões de pessoas, dependendo do veículo. Tenho uma participação ativa de divulgação no Twitter, por meio das contas AstroUSP e DrJorgeMelendez. Também, sempre que possível, tento fazer divulgação presencial, como através de palestras abertas ao público.




Qual é, atualmente, a sua principal questão de pesquisa?

O meu principal projeto de pesquisa é o estudo de gêmeas solares (estrelas muito similares ao Sol) e a procura de planetas ao redor dessas estrelas.

O meu grupo SAMPA estuda detalhadamente gêmeas solares, em comparação ao Sol, usando a chamada técnica diferencial. Estudar estrelas gêmeas solares de diferentes idades é fundamental para entender o passado e o futuro de nosso Sol.

A longo prazo, o nosso objetivo é contribuir para a descoberta do que chamamos de Terra 2.0 (planeta com características semelhantes à Terra). Isso é muito desafiador, pois por falta de pagamento o Brasil foi desligado em 2018 do Observatório Europeu do Sul (ESO), o maior consórcio internacional de Astronomia, que tem instrumentação de ponta necessária para esse tipo de pesquisa.

A Astronomia é um campo científico em que a interdisciplinaridade é bem característica. Relaciona-se com a Física, a Ciência da Informação, com a Matemática, com a História, fomenta profundas reflexões filosóficas e, também, estimula a criatividade artística e poética. Como ocorrem essas relações? É somente uma percepção na esfera do senso comum, ou de fato a área acadêmica lida de forma próxima com essas interações?

Embora a Astronomia seja um ciência interdisciplinar, em muitos casos os cientistas precisam focar em projetos específicos, limitando as possibilidades de interações. Devido à especialização, às vezes é difícil interagir, mesmo dentro de diferentes áreas da Astronomia, e mais complicado ainda com outras disciplinas. Em áreas como a Astrobiologia, a colaboração entre diferentes disciplinas é fundamental, mas na grande maioria dos campos da Astronomia, não existe muita interdisciplinaridade. 

Acredito que a visão geral da Astronomia é muito valiosa para poder explorar as implicações de uma pesquisa específica em um contexto mais amplo. Eu, por exemplo, uso a técnica de espectroscopia, mas a minha pesquisa tem muitas aplicações em diferentes áreas, como Astrofísica Estelar, Exoplanetas e a evolução da nossa galáxia. 

É muito valiosa, também, a possibilidade de interação com diferentes disciplinas, como no caso da Astrobiologia ou da Arqueoastronomia. Para que essas interações possam ser estabelecidas, precisamos de uma visão geral, não apenas das diferentes áreas da Astronomia, mas também das diferentes campos das ciências exatas, biológicas e humanas.

O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação foi astronauta. O que isso representa para a área? Há alguma implicação prática, do ponto de vista da capitalização político-acadêmica?

Acredito que a especialidade exata do Ministro de Ciência e Tecnologia não seja muito relevante, desde que seja uma pessoa com formação científica e familiarizada com o meio acadêmico. Mais do que uma pessoa específica, precisamos de políticas que valorem a importância do desenvolvimento científico e tecnológico de um país. Do contrário, estaremos condenando o Brasil ao atraso e à dependência científica e tecnológica. 

Há algum tópico sobre o qual você gostaria de comentar, mas deixamos de abordar durante a entrevista?

É extremamente preocupante como são divulgadas informações falsas sem base científica, como, por exemplo, a polêmica da Terra plana e a das vacinas que causariam autismo. Uma tarefa importante da divulgação científica é a de educar a população no método científico, que é a busca pela verdade via o teste rigoroso de uma determinada hipótese. Ciência não é achismo, ciência é uma contínua construção de modelos do funcionamento da natureza, via hipóteses que podem ser testadas usando experimentos. 

Também gostaria de salientar o apoio da Geisa Ponte na monitoria e nos trabalhos propostos no último oferecimento da disciplina de Divulgação em Astronomia no IAG/USP, em 2018. Agradeço a todos os que têm colaborado com o sucesso da disciplina.

quarta-feira, 17 de abril de 2019

LabJor vai abrir inscrições para especialização em Jornalismo Científico


Para inscrição no processo seletivo da Especialização em Jornalismo Científico leia atentamente o edital contido neste link.

Principais datas

1ª FASE

Período de inscrição: 01/05 a 03/06/2019 – Formulário de inscrição on-line estará disponível somente neste período.

Divulgação da lista de inscrições homologadas: 05/06/2019

Divulgação da lista de aprovados na primeira fase: 17/06/2019

Somente será considerado regularmente inscrito o candidato que tiver realizado sua inscrição eletrônica até 23h59, no horário de Brasília, do dia 03/06/2019.

Atenção: Não haverá prorrogação do período de inscrição.

Todos os documentos para inscrição devem ser enviados em formato PDF


2ª FASE

Prova de redação e prova de proficiência em inglês: 24/06/2019 – Anfiteatro do IEL
Endereço: Bloco VI – Prédio de Salas de Aula do Instituto de Estudos da Linguagem Rua Sérgio Buarque de Holanda, 571

Entrevista: 01/07/2019 – LABJOR
Endereço: Rua Seis de Agosto, no 50 – prédio Reitoria V, 3º piso.

Divulgação dos resultados no site do Labjor/Unicamp: 04/07/2019

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Entrevista: comunicadores fundam a RedeComCiência


Um grupo de profissionais da divulgação científica criou recentemente a Rede Brasileira de Jornalistas e Comunicadores de Ciência. A instituição está em fase de consolidação, mas a primeira gestão já tomou posse. O jornalista André Biernath, repórter da Revista Saúde, da Editora Abril, é o presidente da RedeComCiência até 2021.

Nesta entrevista para o blog Dissertação Sobre Divulgação Científica, ele falou sobre os desafios e objetivos da organização, que chegou com a proposta de impactar o desenvolvimento profissional da área e, também, a forma como a sociedade lida com a informação e o conhecimento científicos. 

Biernath abordou, também, a realidade, as oportunidades e os desafios do jornalismo científico nos dias de hoje, em que a internet, a multimidialidade e as "fake news" assumem importantes proporções na comunicação e na credibilidade sociais. Uma das metas da Rede é organizar o primeiro Congresso Brasileiro de Jornalismo de Ciência. O que podemos esperar da Rede? É o que vamos conferir agora!


Entrevista

O que é a RedeComCiência? Como ela é estruturada?
A Rede Brasileira de Jornalistas e Comunicadores de Ciência é um grupo de profissionais das mais diversas áreas interessados em melhorar a divulgação da ciência em nosso país. A nossa ideia é unir os diferentes atores sociais responsáveis pelo processo de comunicação  - jornalistas, assessores, profissionais de comunicação interna, cientistas - para debater os nossos ofícios e melhorar a forma como levamos a informação até o público. Em tempo de "fake news" e de negacionismo da ciência, um trabalho desses é mais do que necessário. 

Atualmente, a rede está estruturada em uma diretoria composta por presidente, vice-presidente, tesoureira, secretária e quatro diretores. Além disso, realizamos reuniões mensais abertas para a participação de qualquer pessoa interessada.

O que motivou a criação da RedeComCiência?
Ao participar da Conferência Mundial de Jornalistas de Ciência em 2017, realizada em São Francisco, nos Estados Unidos, eu estranhei e me incomodei com a baixa representatividade de jornalistas brasileiros, especialmente em mesas que tratavam de assuntos ocorridos no Brasil, como a cobertura da epidemia de zika vírus. Foi nesse mesmo evento que eu conheci algumas associações internacionais de jornalistas científicos já bem consolidadas, como as da Argentina e do México. E me perguntei se no Brasil não teria uma proposta semelhante. 

Na própria conferência, eu conversei com alguns colegas brasileiros e surgiu a ideia de criar algo parecido aqui em nosso país. Também vimos que a reconhecida Associação Brasileira de Jornalistas Científicos (ABJC) não estava mais operante, infelizmente. Começamos, então, com um grupo fechado de Facebook, que logo reuniu mais de 100 participantes nas primeiras semanas. Isso foi em fevereiro de 2018. Em março, realizamos nossa primeira reunião presencial mensal e, desde então, crescemos bastante. Atualmente temos mais de 600 participantes no grupo e acabamos de formalizar a RedeComCiência como uma associação.

Quais são os desafios da RedeComCiência?
Estamos agora formalizando a Rede para que ela vire uma entidade jurídica e possa crescer e se desenvolver. Acredito que o grande desafio seja o de engajar as pessoas para que elas se mantenham atuantes e, mais que isso, se sintam representadas pela instituição.

Quais projetos a sua gestão da RedeComCiência pretende desenvolver, até 2021?
Primeiro, queremos deixar nossa casa bem arrumada. Isso significa fazer todas as burocracias para que a Rede exista de verdade, com CNPJ, estatuto social e conta bancária. Na sequência, vamos criar um site oficial e abriremos as inscrições para os membros. O nosso objetivo é fazer o primeiro Congresso Brasileiro de Jornalismo de Ciência dentro desse período também.

"É um absurdo precisarmos fazer reportagens para mostrar que a terra é redonda, em pleno século XXI. Temos que criar mecanismos mais eficientes para lidar com as `fake news`. Talvez, isso nem envolva os seres humanos, mas sim máquinas com inteligência artificial e algoritmos"André Biernath.



A Rede pretende atuar na formulação de políticas públicas? Como?
Essa é uma questão que ainda precisamos discutir melhor para definir como será a nossa atuação. Mas pretendemos, sim, nos posicionarmos em algumas questões.

Qual é o perfil dos comunicadores da ciência hoje em dia no Brasil?
A mais ampla possível. Temos pessoas com todas as formações e vivências. E isso é muito rico e faz a rede existir. Precisamos de todas essas experiências para melhorarmos, juntos, a divulgação de ciência em nosso país. 

Como os profissionais da divulgação científica devem lidar com as "fake news"?
Esse é um dos conceitos mais proferidos nos últimos tempos. Eu, particularmente, tenho a sensação de que estamos sempre correndo atrás do prejuízo. Sai uma nova notícia mentirosa, ela causa um estrago e nós precisamos corrigir. Mas não sabemos ao certo o tamanho do problema e quantas pessoas foram impactadas. 

É um absurdo precisarmos fazer reportagens para mostrar que a terra é redonda, em pleno século XXI! Temos que criar mecanismos mais eficientes para lidar com as "fake news". Talvez, isso nem envolva os seres humanos, mas sim máquinas com inteligência artificial e algoritmos. Em paralelo, precisamos investir na educação para que as pessoas tenham uma mínima formação em ciência para que elas suspeitem e contestem as informações que fujam do método e do rigor científico.

Como promover a divulgação da ciência em tempos de redes sociais e de multimidialidade?
Apostando justamente nessas ferramentas. Precisamos estar em todos os meios que as pessoas utilizam e conversar com elas o tempo todo.

Como você analisa o mercado de trabalho dos divulgadores da ciência?
É bastante diverso e com algumas oportunidades. Mas, há muito espaço para crescer ainda no Brasil. Precisamos de programas de comunicação mais consolidados e eficientes em instituições públicas e privadas. Para que, assim, o trabalho não dependa apenas de um bom e esforçado profissional, mas que ele integre um sistema qualificado que leve informação científica de qualidade aos diferentes públicos.

Que tipo de habilidades o divulgador da ciência precisa adquirir para exercer com propriedade a profissão?
A principal delas é saber conversar com diferentes públicos e passar aquela informação, muitas vezes complexa e cheia de termos técnicos, de uma maneira palatável e entendível. Isso, claro, sem perder o rigor científico. 

Quais são os estímulos e os desestímulos da área hoje em dia no Brasil?
Acho que o principal estímulo é o quanto precisamos avançar ainda e o espaço que existe para isso. Não será uma coisa da noite para o dia. Mas ao evidenciarmos a importância da divulgação científica, mais pessoas perceberão como o trabalho nessa área é relevante. 

Você vai participar da Conferência Mundial de Jornalistas de Ciência, que acontece em julho na Suíça. Qual a importância desse evento para a área e quais tópicos tendem a ser mais levados em consideração?
Trata-se do principal evento da área. Ali estão os grandes jornalistas internacionais e as principais discussões sobre o jornalismo de ciência. Assim como na conferência de 2017, tive a oportunidade de conhecer e conversar com colegas incríveis, o que resultou em todo esse trabalho que estamos fazendo. Espero que na edição de 2019, eu possa fazer mais contatos, ter novas ideias e apresentar a nossa RedeComCiência para as instituições internacionais.

Simpósio + Exposição #MUSEUdeMEMES A política dos memes e os memes da política


O Simpósio + Exposição #MUSEUdeMEMES é um evento acadêmico de âmbito transdisciplinar, que congrega um simpósio, a ser realizado entre 29 e 31 de maio de 2019, das 9h às 21h, e uma exposição, que será inaugurada no dia 18 de maio, ambos no Museu da República (Palácio do Catete), Rio de Janeiro. A realização do evento é de pesquisadores da Universidade Federal Fluminense, através do projeto #MUSEUdeMEMES, e do Museu da República.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Curso a distância de Bibliometria e Indicadores Científicos

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Fiocruz lança novo número da revista "Trabalho, Educação e Saúde"


A primeira edição de 2019 de Trabalho, Educação e Saúde celebra os 50 anos da principal obra de Paulo Freire, "A Pedagogia do Oprimido".

Na primeira edição do ano de Trabalho, Educação e Saúde (vol. 17, no 1), revista científica editada pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, da Fiocruz, celebramos os 50 anos do livro Pedagogia do Oprimido, obra magna do educador popular Paulo Freire, concluída no outono de 1968, quando vivia no exílio em Santiago, no Chile


Fonte: Paulo Guanaes/Fiocruz.

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Brumadinho sob a ótica da comunicação e informação em saúde

“A lama sem alma
Que a água do rio secou
Derrama e exala
Um cheiro tão forte de dor”.

(Música: ‘Lama sem alma’, Edu Krieger)

 “A intensa cobertura da mídia, quando acontecem esses eventos catastróficos, muitas vezes favorece o sensacionalismo e a cultura do envio de donativos. Isso aconteceu em Mariana, está acontecendo novamente em Brumadinho e só despolitiza a questão.” Com essas duras palavras, a doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Informação e Comunicação em Saúde (PPGICS), do Icict/Fiocruz, Patrícia Barcelos analisa o desastre de Brumadinho.

Ela e outros colegas visitaram o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), em junho passado para saber como estava a vida das pessoas três anos após a tragédia que atingiu a região. Da experiência, resultou um filme, produzido pelos próprios alunos, e um seminário, apresentado em agosto de 2018.

Patrícia e seus colegas fizeram uma análise do que viram em Mariana e do que está ocorrendo hoje, em Brumadinho (MG), sob a ótica da Comunicação e Informação em Saúde. Para saber sobre a experiência dos alunos de doutorado do PPGICS, leia a matéria completa no site do Icict, por meio desse link.

Fonte: ICICT  - Fiocruz.


sábado, 8 de dezembro de 2018

Matéria de Capa - Pouso em Marte (TV Cultura)





Esta edição do Matéria de Capa, da TV Cultura, leva você para um tour virtual sobre Marte. A viagem durou 7 meses, tempo suficiente para percorrer mais de 480 milhões de km a uma velocidade de até 200 mil km/h. Após essa longa jornada, a nave Insight superou o momento mais difícil: o pouso na superfície do planeta vermelho, um dos maiores desafios para a engenharia espacial. 

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Prêmio nacional de fotografia estimula popularização da ciência



O Prêmio de Fotografia - Ciência & Arte tem como objetivos fomentar a produção de imagens com a temática de Ciência, Tecnologia e Inovação, contribuir com a divulgação e a popularização da ciência e tecnologia e ampliar o banco de imagens do CNPq. Inscrições até 18 de janeiro de 2019.

Correios lançam selos em homenagem a cientistas brasileiros





César Lattes e Joanna Döbereiner ilustram dois selos interligados por um átomo, elemento comum entre os dois cientistas. Os lançamentos serão nos dias 11, 14 e 19 de dezembro em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba, respectivamente

Os Correios vão lançar dois selos homenageando o cientista César Lattes, cujo trabalho e dedicação impulsionaram a construção da estrutura político-administrativa de ciência no Brasil, e a cientista Joanna Döbereiner, pioneira no estudo da biologia do solo e na pesquisa sobre a Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) nas plantas pela bactéria rhizobium, descoberta que se tornou referência mundial e revolucionou a agricultura no País. Os lançamentos serão nos dias 11, 14 e 19 de dezembro em São Paulo (Museu Catavento), Rio de Janeiro (Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas) e Curitiba (Universidade Federal do Paraná), respectivamente.



Fonte: Jornal da Ciência.

sábado, 1 de dezembro de 2018

"O Museu, as fake news e a pós-modernidade"

Artigo de Marcos Raposo, do Museu Nacional/UFRJ, para a coluna Ciência & Matemática, do jornal O Globo.

Podemos analisar cada fato histórico em diferentes perspectivas. Uma delas é a perspectiva pontual, de causalidade imediata. Outra é a perspectiva histórica, que apresenta, na verdade, vários graus de aproximação.

O incêndio no Museu, há quase três meses agora, foi causado, em um nível mais imediato, pelas primeiras fagulhas de fogo. Olhando-se em uma perspectiva um pouco mais contextualizada, entretanto, vemos o descaso histórico de autoridades como um agente tão nocivo quanto o próprio fogo. Da mesma forma, no caso das famosas “fake news” podemos culpar a primeira pessoa a elaborar a tal notícia falsa ou apontar, em uma perspectiva mais ampla, como responsáveis, as redes sociais e sua total falta de filtros. As trágicas consequências de ambos os processos para nossa cultura e democracia são bastante bem conhecidas e não serão discutidas neste texto.

Aqui nós exploraremos um movimento histórico muito mais amplo, temporalmente mal delimitado e definido, mas que se impõe como potente pano de fundo responsável por inúmeras tendências que vivem deixando os observadores do mundo em que vivemos atônitos. Falamos aqui da pós-modernidade ou da condição pós-moderna como é comumente referida.

Ela, a pós-modernidade, pode ser entendida, simultaneamente e paradoxalmente, como o mais belo fruto do modernismo e também como uma aguda consequência de seu maior fracasso. Ela é uma conclusão inevitável dos avanços científicos e filosóficos da modernidade e, portanto, boa, mas é também o desalento de quem, não atento às advertências de Platão, conferiu ao nosso conhecimento um poder maior do que ele de fato poderia possuir.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Uber traz bicicletas elétricas compartilhadas da Jump para o Brasil em 2019


A Uber começou a oferecer serviço de bicicleta elétrica compartilhada em janeiro deste ano por meio de uma parceria com a Jump e, logo depois, anunciou a aquisição da parceira. Agora, a companhia vai trazer a nova modalidade para o Brasil em 2019, apesar de nenhuma data oficial ter sido confirmada. 

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

FIOCRUZ: Roda de conversa sobre "Imagem e Informação: (in)visibilidades" no dia 18/10


Foto de Wander Rocha.


Serviço
Evento: Roda de conversa sobre "Imagem e Informação: (in)visibilidades" 
Convidados: Fotógrafos Teresa Neves, Wander Rocha e Leo Salo
Mediadora: Rosinalva Souza (LICST/Icict/Fiocruz)
Dia / Horário: 18/10 - 5ª feira, 10h às 12h
Local: Prédio da Expansão do Campus, 4º andar - sala 401 - Av. Brasil, 4.036, em Manguinhos.


Fonte: ICICT/Fiocruz.

Reciis: Sob o impacto de setembro





Roberta Carvalho/Reciis


Este terceiro número da Reciis – Revista Eletrônica de Comunicação, Informação & Inovação em Saúde, do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde – Icict, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), como mostra a belíssima capa, é dedicada à campanha brasileira pela prevenção ao suicídio, o Setembro Amarelo. A pesquisadora Mariana Bteshe reflete sobre a complexidade e a multicausalidade da questão, nos mostrando que não basta falar sobre o assunto. Com foco na perspectiva do cuidado em saúde mental, a autora discute aspectos fundamentais para a compreensão dos processos comunicacionais, psíquicos e sociais que envolvem o fenômeno.

Não será por meio da racionalidade ou da responsabilização das vítimas que reduziremos os índices de suicídios e tentativas. Ao contrário, nossa melhor chance é um olhar atento e compassivo para o sofrimento profundo vivenciado por quem procurou alívio nesse gesto extremo e também por seus familiares e amigos. É preciso investir na criação e manutenção de espaços de acolhimento, sobretudo, no Sistema Único de Saúde (SUS), diz Bteshe.

A edição foi lançada ainda sob o impacto do incêndio que no dia 2 de setembro destruiu grande parte do acervo do Museu Nacional no Rio de Janeiro. Num dos editoriais, Rosany Bochner, editora científica da Reciis, relaciona a nossa curta memória brasileira com as cinzas do nosso patrimônio ao elencar uma série de incêndios que vêm queimando nossa cultura. A verba que faltava para a preservação aparece em grandes somas para a reconstrução do que foi destruído. Uma conta que nunca vai fechar e só nos deixa mais pobres no sentido mais humano possível.

Este número nos brinda com quatro artigos originais que têm em comum abordagens produzidas a partir das práticas de saúde que envolvem o uso de tecnologias de informação e comunicação. Além de uma análise acerca do papel da mídia na construção da agenda governamental para o SUS, outro destaque é o estudo comparativo entre o estado nutricional de crianças que frequentam três creches no município de Carapicuíba (SP) com o estado nutricional de seus pais, a partir de dados referentes ao consumo alimentar, à classe econômica e à escolaridade. 

Já o ensaio intitulado “A (in)formação científica e humanizada dos profissionais da área de saúde: a literatura nas humanidades médicas” nos oferece uma reflexão sobre o diálogo entre literatura e ciência. O relato de experiência nos apresenta um interessante projeto que propõe o envolvimento de alunos de três escolas públicas estaduais em Belo Horizonte na construção de questões relacionadas à saúde.

domingo, 14 de outubro de 2018

Revista Informação@Profissões lança novo número



Imagem para capa da revista
v. 7, n. 2 (2018)


A revista Informação@Profissões é um periódico técnico-científico eletrônico vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Acesse aqui!

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Google abre inscrições para Feira de Ciências Internacional


Google Science Fair já teve finalista brasileira. Inscrições vão até 12 de dezembro


google (Foto: Flickr/ Neon Tommy)
GOOGLE (FOTO: FLICKR/ NEON TOMMY).


Desde 2011 a Google estimula adolescentes a buscarem respostas para diversas perguntas através da tecnologia, ciência, engenharia e matemática. O projeto Google Science Fair, que chega a mais uma edição em 2018, pretende repetir essa pergunta.

O Brasil, por sinal, já teve uma representante entre os finalistas do evento – aconteceu em 2016, quando a jovem Maria Vitória Valoto, de apenas 16 anos, representou o país (e toda a América Latina) ao criar uma cápsula reaproveitável que, ao ser posta no leite, faz a hidrólise do açúcar, ajudando a combater a intolerância à lactose.


Fonte: Revista Galileu.