segunda-feira, 14 de julho de 2014

Sem tempo para a solidão

Na era da interação total, afastar-se para refletir é difícil, mas necessário, dizem especialistas

Rafaella Garbin: a instrutora da Organização Arte de Viver diz que pessoas evitam solidão para não sentir ‘culpa’ pelos erros cometidos no passado - Camilla Maia

Desligue o seu celular. Feche o livro. Livre-se da televisão. Evite o contato com qualquer pessoa. Tudo por apenas 15 minutos. É um tempo curto, mas, para muitos, esse momento de solidão dura uma eternidade, como se fosse contra a própria natureza. Mesmo quando estamos a portas fechadas, a ansiedade parece nos acompanhar. Relaxar é uma missão olímpica. Sozinhos, estamos nos sentindo mal acompanhados.

Uma amostra de como não entendemos — e evitamos — a solidão veio este mês de um estudo publicado na revista científica “Science”. Pesquisadores da Universidade de Virginia (EUA) fizeram um experimento para entender como 18 homens e 24 mulheres se comportariam sozinhos, trancados em uma sala por 15 minutos, sem ter o que fazer. A todos foram dadas duas opções: passar esse tempo pensando ou infligindo-se choques elétricos. Doze deles e quatro delas, entendiados, preferiram as descargas. Um dos voluntários chegou a recorrer ao castigo 190 vezes durante os 15 minutos.

— É impressionante como estar sozinho com nossos pensamentos, e por apenas 15 minutos, parece uma ideia tão infeliz para muitas pessoas — espanta-se Timothy Wilton, líder do estudo.


Fonte: O Globo.

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