domingo, 9 de fevereiro de 2014

Dissertação de mestrado da Fiocruz investiga a ligação entre saúde e candomblé

Trabalho aborda as narrativas do sofrimento psíquico dos praticantes e o atendimento na rede de saúde pública

Eu sei que meu trabalho é polêmico, que gera espanto, debate”, com essas palavras a psicóloga Clarice Portugal, aluna do Programa de Pós-Graduação em Informação e Comunicação em Saúde (PPGICS), do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica (Icict), da Fiocruz, define a dissertação de mestrado que defendeu no dia 28/01 e que teve a aprovação da banca. 

O trabalho "Da linguagem dos infortúnios às narrativas de doença: o sofrimento psíquico e a construção de itinerários terapêuticos entre adeptos do candomblé" tem como objetivo investigar as narrativas de doença em torno do sofrimento psíquico – com ênfase em depressão e suicídio – entre os adeptos do candomblé, de modo a elucidar como ele é construído, compartilhado e percebido por quem oferece e demanda cuidado no terreiro. Também são consideradas as múltiplas inserções sócio-institucionais dos sujeitos entrevistados e os itinerários de informação e conhecimento envolvidos na construção pessoal e social da doença mental nos “axés” (terreiros). 

A pesquisadora ouviu 11 pessoas, entre homens e mulheres, com idades variando de 19 a 50 anos, de classe média ou classe média alta, com grau de instrução do nível médio de ensino até a pós-graduação e que já frequentaram o serviço público de saúde, como postos, hospitais ou os Centros de Atenção Psicossocial – CAPS. O trabalho de campo envolveu três terreiros de candomblé, dois no estado do Rio de Janeiro e um em Salvador, Bahia. 

A escolha do candomblé não foi aleatória, como explica Clarice Portugal, que partiu da sua experiência profissional e pessoal para pesquisar mais a fundo a relação entre os praticantes do candomblé e o atendimento destes no serviço de saúde. “Eu decidi abrir um pouco essa caixa preta e olhar para essas experiências de sofrimento mais de perto, tentando compreender como as pessoas, dentro de uma situação de desespero, foram criando caminhos de informação e conhecimento em saúde, como se deu a negociação com as diferentes esferas – tanto a de serviços de saúde quanto à religiosa”, fala. 


Fonte: ICICT/IBICT.

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